COISAS QUE VÃO ACONTECENDO!
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União das freguesias
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É certo que no dia a dia vão ocorrendo “coisas” cuja frequência é já tão alta que a importância que deveriam ter as torna banais e corriqueiras. A minha intenção neste texto é apenas referenciar algumas, e tecer porventura alguns comentários.
Começo pela situação na/da Igreja Católica e pelos casos de abusos sexuais em que alguns sacerdotes estão envolvidos. Embora a sociedade portuguesa seja constitucionalmente laica, a Igreja Católica goza de um estatuto de favorecimento, conseguindo exercer pressão sobre outros órgãos, atenuando deste modo as repercussões dos casos ocorridos no seu seio. Contudo, e como diz o ditado, não há fumo sem fogo, quem foi indiciado, mesmo que ilibado, da suspeita não se livra.
Um outro assunto que tem estado na agenda política são as greves, mais concretamente as dos professores e dos transportes. Relativamente à dos professores, o protagonismo dos sindicalistas está agora centrado na liderança da “luta”. Os mais antigos defendem um caminho mais corporativista; enquanto os mais recentes nestas andanças, ancorados nos chamados movimentos inorgânicos, optam por uma linha de agitação das massas, levando os professores a manifestarem-se duma forma habitualmente utilizada por forças mais extremistas. No meio disto, os professores, que têm razão, continuam a degradar a sua imagem, através de comportamentos nada condizentes com o seu estatuto intelectual e social. De tudo isto, o que pessoalmente mais me preocupa são as consequências futuras que os atuais jovens vão sofrer na sua formação.
Quanto às greves nos transportes, caraterizadas também pela divisão nos sindicatos, é mais do mesmo. O sindicalismo português, se não muda as suas linhas de orientação, mais cedo ou mais tarde, perderá a sua identidade e, bem pior, a sua representatividade.
Entretanto, vamos assistindo aos “casos e casinhos”, que os media, mas também alguns grupos políticos, vão criando, e que vão ocupando os écrans das televisões e as capas dos jornais. Neste âmbito, até o nosso Presidente da República vai dando o seu contributo, pois a sua inclinação de comentador é superior a ele próprio.
E assim vai andando o país: um governo que faz por governar, mesmo com algumas perturbações internas; uma oposição que, para além dos “casos e casinhos”, nada propõe; sindicatos que se preocupam mais com eles próprios, do que com a defesa dos trabalhadores (para além de promoverem greves predominantemente quando o governo não é de direita); um Presidente da República mais opinativo do que institucional. Resta-nos o poder local que, quando bem exercido, é um bom exemplo do que é governar para o bem das populações, e não tenho dúvidas de que é o caso da União de Freguesias de Massamá e Monte Abraão.
Victor Hugo Alves (PS)
Presidente da Assembleia da UF de Massamá e Monte Abraão
Fev/2023